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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Pós-Doutorado na área de Bioinformática em Porto Alegre
Período e local da seleção: de 16 a 19 de novembro de 2010, na UFCSPA – Rua Sarmento Leite,
245 – Porto Alegre-RS – (51) 3303-8763
Os interessados deverão enviar um e-mail para anabgv@ufcspa.edu.br, contendo CV Lattes e
Memorial Descritivo, e agendar entrevista.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Toxinologia: XXVIII Workshop Tematico CAT/Cepid
LNCC e UFRGS promovem simpósio sobre computação de alto desempenho
O evento é organizado por ação conjunta entre o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCT) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Ao todo, 350 pesquisadores, professores e estudantes participam do simpósio.
Um dos coordenadores do SBAC-PAD, o cientista Bruno Schulze (LNCC) comenta que o encontro é de grande relevância para os atuais e futuros profissionais da área, pois tradicionalmente reúnem-se alguns dos maiores nomes que contribuem para o desenvolvimento da computação de alto desempenho. Por exemplo, este ano comparecem Willian D. Gropp, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign (Estados Unidos), César Gonzales, da IBM, e Rafaelle Tripiccione, da Università di Ferrata.
"A participação de grandes nomes mundiais, a alta qualidade do trabalho e o relativo baixo índice de aceitação dos artigos são aspectos que fazem do SBAC PAD um evento capaz de proporcionar grandes avanços da computação de alto desempenho", comenta Schulze. "Vemos, aqui, o alto padrão de exigência da comissão julgadora, formada basicamente por 61 cientistas brasileiros, norte-americanos e europeus", observa.
Outras atividades serão promovidas paralelamente ao SBAC-PAD. Entre elas, o Simpósio em Sistemas Computacionais (WSCAD-SSC), um fórum de discussão sobre recentes desenvolvimentos em arquitetura de computadores, processamento de alto desempenho e sistemas distribuídos.
Já a 5ª Maratona de Programação Paralela vai promover competição entre equipes formadas por três membros cada, que terão um computador para solucionar, em cinco horas, nove problemas sobre desafios relacionados à programação paralela e distribuída.
A SBPC também integra as atividades do SBAC-PAD 2010, com o workshop "Challenges In eScience", que acontece no dia 29 de outubro. O evento vai reunir cientistas e outros profissionais para discutir as últimas realizações das aplicações da chamada eCiência.
Além de apresentação de artigos, o workshop terá palestras proferidas por: Eric K. Neumann, director executivo do Clinical Semantics Group; Geoffrey Charles Fox, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos; Pedro Leite da Silva Dias, diretor do LNCC/MCT; e Philippe Cudre-Mauroux, do Database Systems, do MIT.
Mais informações: http://www.sbc.org.br/sbac/
(Assessoria de Comunicação do LNCC)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
II Semana de Estudos em Biotecnologia - Uergs
Material de aula
26 de outubro
27 de outubro
"Indústria farmacêutica tem controle total sobre pesquisas", entrevista com Carl Eliott
Em 1989, Len iniciou residência médica em psiquiatria, após terminar a faculdade em Harvard. Trazia no currículo excelentes notas. Mas Len era uma farsa. Nunca esteve em Harvard. Era funcionário de um laboratório. A história, real, parece conto infantil perto de outras que surgem nas 224 páginas de "White Coat, Black Hat -Adventures on the Dark Side of Medicine" (jaleco branco, chapéu preto: aventuras no lado negro da medicina), do médico Carl Elliot, professor de bioética e filosofia na Universidade de Minnesota.
Uso de "cobaias humanas" em estudos científicos obscuros, médicos sendo "porta-vozes" da indústria farmacêutica em troca de altas somas, doutores influentes que assinam artigos de escritores-fantasmas. A lista de falcatruas parece não ter fim.
Elliot, 49, um dos principais nomes da bioética nos EUA, não promete imparcialidade na sua obra. "Meu interesse é no que tem de errado. Construímos um sistema médico em que o ato de enganar não é apenas tolerado, mas recompensado", afirmou à Folha o autor de outros seis livros na área. Nos últimos cinco anos, uma série de obras vem revelando que a indústria farmacêutica escapou a todo controle. Tem influência quase ilimitada sobre a educação, a pesquisa e os médicos.
Pergunto a Elliot se os laboratórios não têm nada de bom, se são tão sombrios assim como ele pinta no livro. Ele não titubeia: "Sombrios? Deixei de fora os trechos mais desmoralizantes." A seguir, trechos da entrevista dada à Folha, por e-mail:
- A imagem heroica da indústria, associada a drogas como a penicilina e insulina, parece ter ruído após tanto escândalos e poucas descobertas. A glória acabou?
A penicilina não foi desenvolvida por uma indústria. Alexander Fleming a desenvolveu no St. Mary's Hospital, em Londres. E o trabalho crucial para a insulina foi feito na Universidade de Toronto. O problema hoje é que temos um sistema de desenvolvimento de drogas orientado para o mercado e não para as coisas que as pessoas doentes precisam.
- Você relata várias monstruosidades cometidas em ensaios clínicos. Isso ainda ocorre com frequência?
A maioria dos medicamentos ainda é testada em pessoas pobres, especialmente nos estágios iniciais. Muitas pessoas não iriam se voluntariar para tomar remédios não testados, durante três semanas, sem receber pagamento. Esses voluntários são pessoas que precisam desesperadamente de dinheiro.
- Qual o futuro do relacionamento entre a indústria farmacêutica e os médicos?
A solução que vem sendo instituída aqui, nos EUA, é a transparência. Médicos podem aceitar todo dinheiro que quiserem, desde que não escondam isso. Mas meu palpite é que isso vai normalizar a prática. Não parece haver vergonha em tirar dinheiro do setor. Na verdade, ser escolhido para ser "líder" entre os médicos, pago pelo setor, é visto como uma honra.
- Então, transparência também não resolve?
Transparência importa, mas não é a solução. Propina é propina, mesmo se é recebida a céu aberto. A solução é eliminar os pagamentos, tal como fizemos com os juízes, jornalistas e policiais.
- Médicos dizem ser impossível fazer estudos ou congressos sem a indústria. Verdade?
Não é verdade. Eventos médicos podem ser feitos sem dinheiro da indústria. Ensaios clínicos já são mais complicados. O problema é que a indústria tem controle total sobre as pesquisas. Ela enterra os resultados negativos a fim de tornar as drogas melhores do que são. Isso não é ciência, é marketing.
- É possível que médicos aceitem brindes da indústria e continuem independentes?
Médicos nunca pensam que são influenciados por dinheiro ou presentes. Mas temos 20 anos de dados mostrando que eles são, sim.
- A única solução seria cortar todas as relações entre médicos e laboratórios?
Há colaborações aceitáveis. Mas se um médico é pago só para ler um conjunto de informações da indústria ou permitir que seu nome seja adicionado a um artigo escrito por fantasmas, esse tipo de pagamento tem que ser eliminado. Conversei com um representante de laboratório que construiu uma piscina para um médico só para levá-lo a prescrever mais receitas. Como alguém justifica isso?
(Claudia Colucci)
(Folha de SP, 24/10)
terça-feira, 18 de maio de 2010
O mistério das proteínas
Costuma-se dizer que somos feitos de água. Não está errado, mas o corpo humano é também um conjunto altamente organizado de proteínas e outras moléculas.
Quando alguma coisa não vai bem com as proteínas, a saúde sofre. Erros na estrutura de proteínas - na forma como se dobram dentro das células - estão ligados a doenças como câncer, a forma humana do mal da vaca louca e os males de Parkinson e Alzheimer.
Um dos maiores especialistas no estudo da estrutura de proteínas, o professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ Jerson Lima Silva acaba de ganhar um dos mais importante prêmios da ciência brasileira, o Conrado Wessel, na categoria Ciência Geral, justamente por pesquisas que estão na base do conhecimento para lutar contra males hoje sem cura.
Aos 50 anos, Jerson, também diretor científico da Faperj e membro da diretoria da Academia Brasileira de Ciências, é um dos mais jovens ganhadores de um prêmio desta importância. Médico de formação, ele já publicou 135 estudos em revistas científicas de alto impacto, formou 27 doutores e é um incentivador do ensino da ciência para os jovens. A seguir, Jerson Lima Silva explica como essa linha de pesquisa pode transformar a medicina e destaca a importância da chamada ciência básica para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento país.
Doenças do sistema nervoso: "Estudamos proteínas envolvidas em doenças neurodegenerativas e câncer. Com o aumento da expectativa de vida mundial, a incidência dessas doenças cresceu muito, causando grande impacto nos sistemas de saúde, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. Doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson, esclerose amiotrófica lateral e doenças priônicas (forma humana do mal da vaca louca) fazem parte de um grupo de patologias causadas pelo dobramento errado de proteínas. Esse dobramento gera formas tóxicas que afetam as células do cérebro. Essas doenças hoje só têm tratamento paliativo e a indústria farmacêutica ainda aguarda que os cientistas de universidades e centros de pesquisa identifiquem os alvos-chaves para o uso de medicamentos."
Envelhecimento: "De fato todas essas doenças são mais comuns no idoso, tanto pelo efeito cumulativo (formação e acúmulo de placas de proteínas defeituosas), que é lento, como pela dificuldade progressiva das células do idoso de usar os mecanismos de reparo ou de degradação das proteínas mal enoveladas."
Câncer: "Eu e meu grupo também estudamos uma proteína chamada p53. A forma defeituosa da p53 tem relação com cerca de 50% dos casos de câncer, hoje a segunda causa de morte no mundo. Essa proteína controla o ciclo celular e, em condições normais, faz com que as células saibam quando parar de se replicar. O câncer se caracteriza pela proliferação descontrolada das células, que afeta órgãos e tecidos.
Quando a p53 sofre defeitos que a fazem 'se enovelar errado' dentro das células, ela perde a função e abre caminho para o desenvolvimento do câncer. Investigamos a causa dessa conformação errada. Um dos desdobramentos da pesquisa é no diagnóstico, para identificar casos com mau prognóstico.
O outro é desenvolver terapias para restaurar a proteína p53 mutante e interromper o processo da doença, com efeitos diretos sobre as metástases. Procuramos moléculas que restaurem a p53. Trabalhamos ainda com outras proteínas ligadas a cânceres, como BCR-abl (leucemia mieloide crônica), Smac/DIABLO e IAPs, ambas importantes no processo de morte celular. Eu coordeno duas redes de estudo de genômica e proteômica estrutural em câncer de mama."
Mal da vaca louca: "Uma das descobertas mais importantes do grupo que eu coordeno é ter mostrado que os prions, proteínas alteradas que causam encefalopatias popularmente conhecidas como doenças da vaca louca, precisam de ácidos nucleicos (provavelmente RNA) para se propagar. Mudamos o paradigma sobre essas doenças."
Instrumentos de trabalho: "Utilizamos um arsenal de ferramentas espectroscópicas, tais como fluorescência e ressonância magnética nuclear (RMN) associadas a técnicas de biologia molecular e celular. Nosso objeto de estudo são processos complexos que acontecem dentro das células."
Excesso fatal: "As proteínas associadas a doenças neurodegenerativas são misteriosas. Na maioria das vezes sequer se conhece sua função normal. Mas sabemos que quando se dobram ou enovelam errado dentro das células, elas geram agregados que as fazem perder a função. A célula morre porque a proteína não só não funciona quanto ainda forma agregados tóxicos, particularmente nocivos aos tecidos do sistema nervoso. Até o momento, foram identificadas cerca de 40 doenças causadas por esses agregados."
Pesquisa básica: "Como pesquisador e diretor científico da Faperj considero a área básica a galinha dos ovos de ouro do desenvolvimento tecnológico, industrial e social de qualquer país. Felizmente o Brasil fez uma aposta em apoiar a pesquisa básica, o que resultou em um aumento da produção de artigo científicos publicados em periódicos indexados de cerca de 10 vezes nos últimos 20 anos. Além do conhecimento gerado, temos formado mais de 10 mil doutores por ano, que estão sendo fixados não só pelas universidades e centros de pesquisa, como também pelo setor empresarial.
Hoje a fronteira entre pesquisa básica e aplicada está cada vez mais indistinguível . Quando eu comecei meus estudos sobre a conformação protéica há mais de 25 anos, poderia se dizer que meu trabalho era puramente básico. Agora se sabe que conhecer os princípios responsáveis pela correta aquisição da estrutura de uma proteína parece ser o único caminho para impedir ou tratar dezenas de doenças."
Jovens: "A receita para ter jovens interessados em ciência é oferecer educação de melhor qualidade. Também é importante começar o mais cedo possível, de preferência antes de a criança ir para a escola, quando a família representa um papel crucial. Por isso, a TV, a internet, o museu, o jornal e outros meios de comunicação têm fundamental importância em divulgar informação científica de qualidade a todo o país."
(Ana Lucia Azevedo) (O Globo, 16/5)